No começo de fevereiro de 2016, ouvimos cerca das dez da noite um disparo aparentemente de revólver calibre 38 quase ao lado de nossa casa. Vivemos em uma área isolada, com poucos vizinhos.
Há cinco dias, ocorreu novo disparo do mesmo tipo, mais próximo ainda de nossa casa, em hora parecida. Só que desta vez houve uma vítima, das que não recebem proteção policial: um cão.
Mas ontem, dia 21 de fevereiro, um dos vizinhos nos veio falar da consequência mais incômoda do caso: o corpo em decomposição do pobre animal fora atirado na valeta próxima pela qual se escoam as águas das chuvas.
O odor que tomou toda a área é do tipo bem conhecido de todos. E agora, estamos com a casa toda fechada, já que o calor resultante é um mal menor que o de aspirar uma atmosfera envenenada.
Algo precisaria ser feito; no entanto, a área é carente de tudo, inclusive de pessoas que executem qualquer trabalho, mesmo os do tipo extremamente útil e regiamente remunerados.
O lugar, na verdade, é repleto apenas de mãos estendidas, de mãos estendidas para pedir.

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